O preço do desemprego

A pessoa sofre um impacto psicológico muito grande igual a uma doença ou a sofrer um golpe físico contundente. As  pessoas sentem-se traídas porque os sacrifícios que fizeram pela empresa ou projecto onde estavam inseridos não foram reconhecidos. Perde-se a confiança, especialmente quando muitos executivos de alto escalão recebem grandes remunerações para passar à reforma antecipada. Além do mais, a perda do emprego compromete a capacidade da pessoa de pagar hipoteca, outras dívidas, assistência médica para a família, mensalidades escolares, e de manter o estilo de vida, os hobbies e as posses. Isso faz com que a pessoa caia no desespero e tenha sentimentos de inutilidade.
Visto que o emprego estável e significativo contribui grandemente para a auto-estima da pessoa, imagine o efeito devastador que o desemprego pode causar nos deficientes físicos, nos que não têm qualificação profissional ou nos que têm mais idade. Uma pesquisa na Austrália revelou que pessoas entre 45 e 59 anos de idade são o alvo mais provável de serem dispensadas, justamente a faixa etária que tem mais dificuldade de se ajustar a essa mudança.
Existem opções? O emprego de meio período ou um trabalho que pague menos certamente é preferível ao desemprego. Mas isso pode resultar num padrão de vida mais baixo. E tem-se constatado que apenas cerca de um terço dos trabalhadores demitidos por fim conseguem empregos que pagam tão bem quanto o emprego anterior o que acrescenta uma carga de stress na família.
Mesmo a pessoa que tem um emprego talvez não esteja tranquila. Isso acontece porque a perspectiva de perder o emprego tem um efeito devastador, ainda que subtil. O livro Parting Company (Adeus à Companhia) diz: Ter o pressentimento de perder o emprego é como escolher a melhor maneira de ser atropelado por um automóvel. Não pensamos na ideia porque geralmente só vê o carro ou o corte quando ele nos atinge em cheio.”
Como o desemprego afecta os jovens? Após uma pesquisa realizada por um departamento de educação e ciência, fez-se esta observação: Para eles, uma das principais confirmações externas de se ter ingressado no mundo dos adultos era ter conseguido um emprego de período integral (indicativo da vida adulta), num mundo de adultos e em padrões de adultos, acompanhada da independência financeira.’ Assim, se o jovem acha que um emprego é o passaporte para a maioridade, o desemprego pode ser devastador.
Lidar com a demissão tem sido comparado a andar num campo minado. O livro Parting Company diz que os sentimentos mais frequentes são ira, vergonha, medo, tristeza e auto-comiseração. É difícil lidar com tais sentimentos. Os autores dizem: Você recebe uma atribuição difícil determinar seu futuro. Você não pediu essa atribuição, provavelmente não sabe como agir, e de repente pode se sentir totalmente desamparado.” E explicar a súbita demissão à família é uma das coisas mais difíceis de enfrentar.
Felix Rohatyn, ex-banqueiro e investidor, disse: O fato de o desemprego de um gerar a riqueza de outro mostra que há algo de fundamentalmente errado em nossa sociedade.” Tão fundamentalmente errado que esse sistema logo será substituído por um mundo onde a expressão carreira vitalícia” assumirá um significado muito além do que possamos imaginar hoje.
 Os custos económicos e sociais do desemprego são enormes”, diz a Comissão das Comunidades Europeias, e resultam, não só das despesas directas do pagamento de benefícios aos desempregados, mas também da perda de receita fiscal para a qual os desempregados contribuiriam se fossem economicamente activos”. E os benefícios do seguro-desemprego representam um fardo cada vez mais pesado, tanto para os governos como para os empregados, que são submetidos a impostos maiores.
 
O desemprego não é só uma questão de dados e números. Ele causa verdadeiros dramas, porque é uma praga que atinge pessoas: homens, mulheres e jovens de todas as classes sociais. Conjugado com todos os outros problemas da actualidade, o desemprego pode ser um fardo enorme. Especialmente se foi atingida pelo desemprego crónico”, e se tudo o mais estiver normal, a pessoa que está desempregada já por muito tempo nota que fica ainda mais difícil arranjar emprego. Lamentavelmente, algumas talvez nunca mais consigam um emprego.
Os psicólogos já constatam que entre os desempregados de hoje vêm aumentando os problemas psiquiátricos e psicológicos, além de instabilidade emocional, frustração, apatia progressiva e perda de amor-próprio. Perder o emprego é uma terrível tragédia para quem tem filhos para criar. O mundo ao seu redor desaba. Acaba a segurança. Alguns especialistas notam que está surgindo uma ansiedade por antecipação”, relacionada com a possibilidade de perder o emprego. Essa ansiedade pode afectar seriamente os relacionamentos familiares e ter consequências ainda mais trágicas, como podem indicar os recentes casos de suicídio de pessoas desempregadas. Além disso, a dificuldade de entrar no mercado de trabalho está entre as prováveis causas da violência e da alienação social dos jovens.
Notas: O índice de desemprego é a percentagem de desempregados dentre o total da força de trabalho.
Os desempregados crónicos” são aqueles que estão sem emprego por mais de 12 meses. Na UE, cerca da metade dos desempregados entra nessa categoria.
Visto que qualquer um pode ficar desempregado, o desemprego é uma praga social. Alguns países tomam várias providências para proteger quem ainda está trabalhando. Uma das medidas, por exemplo, é a redução da jornada semanal e consequentemente dos salários. No entanto, isso pode prejudicar as perspectivas de quem está procurando emprego.
Empregados e desempregados protestam cada vez mais frequentemente contra problemas relacionados com emprego. Mas, enquanto os desempregados exigem novos empregos, quem tem um emprego procura proteger sua própria estabilidade dois objectivos nem sempre compatíveis. Quem tem um emprego muitas vezes é convidado a fazer horas extras. Quem está fora fica fora. Há o risco de a sociedade dividir-se em dois grupos . . . de um lado, os super-empregados; de outro, os desempregados marginalizados, quase totalmente dependentes da boa vontade dos primeiros”, diz a revista italiana Panorama. Na Europa, dizem os especialistas, os frutos do crescimento económico são absorvidos principalmente por quem já está trabalhando, não pelos desempregados.
Além de tudo isso, o desemprego está relacionado com a condição da economia local, de modo que em certas nações, como Alemanha, Espanha e Itália, existem enormes diferenças entre as necessidades de uma região e as de outra região. 
Milu Ramalho
08/04/2017
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