A Cuidadora!

Desempregada, sem alternativas no momento, devido a circunstâncias excepcionais… Decidi emigrar! Esta experiência foi extraordinária em tudo. Foi também uma lição de vida.
Cheguei ao Reino Unido no dia 18 de Maio de 2015. O Elate training 1 passou-se em Cheltenham, nas instalações secundárias da Cleeve Care. Tive uma semana de formação intensiva. Elate training 1. Tudo correu bem. Recebi dois uniformes e um casaco de serviço, um jogo de lençóis, uma fronha e um edredom. Fiquei alojada na nursery staff house nesse período de tempo. Amei o Reino Unido. As paisagens verdes, as pessoas, as casas, tudo enfim…
Na nursery estavam outras cinco senhoras e dois homens. Entre eles uma senhora com quem estabeleci laços até aos dias de hoje. Por vezes eu acordava todos aspirando o chão de madrugada. Sendo eu mesma, obviamente. Também cozinhava no microondas de manhã cedo. Todos riam de mim pois não havia nada a fazer, de tão espontâneo!
No sábado dia 23, parti para Biscester, no carro que me foi dado no dia anterior quando terminou o curso, tendo por companhia o meu Set Nav ou GPS. Fomos encaminhados para staff houses ou live in conforme as aplicações de cada um. Pensava que iria para a mesma casa que minha amiga mas, no último momento fomos separadas. Nessa manhã um jovem driver surgiu agressivamente perguntando se eu não ía abandonar o quarto. Eu disse-lhe que sim, que sairia dentro de meia hora. Ele foi e voltou arreliado comigo. Eu estava tão calma que tentava dizer-lhe que ía no meu carro. Entretanto, a minha amiga, atenta a tudo, veio falar com o jovem. Quando ele realizou que se havia enganado na pessoa caiu-lhe o nariz e foi dali contristado. Imaginei naquele momento a pressão a que ele devia estar sujeito.
Cheguei a Bicester. Entrei na casa e esperei pelas colegas que moravam na casa para me estabelecer. Entre resmungo lá me arranjaram espaço para por as minhas coisas num dos quartos que partilhei com a jovem A. Também me arranjaram espaço na cozinha. Tudo parecia bem. Passado uma semana o ambiente era horrível. Elas não primavam pela higiene. Limpei a casa de alto a baixo. Todos os dias lavava as loiças e limpava a cozinha. Essas tarefas davam-me prazer por considerar aquelas pessoas minha família.Desde que chegara a Bicester que me tornei solitária, viajando desde manhã cedo até tarde na noite. A vida era conduzir, trabalhar e dormir depois do banho. Não tinha tempo para atender as chamadas ou falar com a família. Fazia-o uma vez por semana no dia off ou, abdicava de algumas horas de sono para responder aos e-mails ou falar através da internet com a família e amigos.
A dada altura as colegas da casa começaram a complicar-se comigo por usar a cozinha, lavar roupa ou tomar banho quando chegava do trabalho. Na Inglaterra o nosso tomar banho significa banho de imersão. Eu quis dizer um shower. Que é o mais agradável havendo condições para isso. Depois inventaram que eu usava as coisas delas como shampoo, cremes ou comida e que até lhes roubava coisas. Eu tinha pavor de chegar a casa, então trabalhava todo o tempo. A minha rota era Oxford. Voltava para tomar banho e dormir. Comia no carro, vivia no carro. Era uma conspiração terrível!! A minha frustração e dor emocional aumentava dia a dia.
Eu gostava da minha rota. Era acessível embora trabalhosa. Eu havia feito shadowing com A e A. Gostei logo do serviço e a princípio não tive clientes fixos. Quando começei a ter clientes fixos dei o meu melhor tentando chegar a horas fazendo também a diferença no trato com as pessoas a meu cargo. Começava cedo e terminava às 8.30 pm o mais tardar 09.00 pm.
No início posso dizer que as três meninas me agradaram. Depois tudo mudou… Tudo na vida muda, deixei de ser confiante e corajosa! Passei a ser uma pessoa à toa, sem carisma, sem amor próprio que se deixou abandalhar por qualquer bandalho de pessoa, por causa da insegurança. Mas voltar para casa, era possível? Que pensaria a família e os amigos? Será que iriam pensar que não me interessava pelo trabalho? Por outro lado, será que me apoiariam com a subsistência minima como fizeram por tantos anos? Não, tenho que me manter aqui!
Pedi aos supervisores para mudar daquela casa mas fizeram ouvidos de mercador até que esgotada falei com o patrão da Cleeve Care. O patrão escutou e mandaram-me ir ao escritório onde me foi dado um carro novo em folha topo de gama. Esta acção irritou as colegas e as managers. Mudei-me para Bampton no dia 28 de Junho de 2015 depois de uma longa espera e muitas diligências. Pouco antes da minha mudança a S e a C já falavam comigo e daí ter ficado consciente da conspiração contra mim e porque razão criaram aquele conflito. A casa não cabimentava mais de três pessoas. Tinha apenas uma casa de banho. Todas saíamos cedo entre as 06.00 am e as 07.00 am e voltávamos entre as 21.00 pm e as 22.00 pm.
Era importante para todas o shower, comer e dormir tão logo possível, tendo em vista estar bem na manhã seguinte pelas 05.00 am. È a luta pela sobrevivência.
Em Oxford eu começava o dia pelas 06.45m na casa dum senhor agradável que embora fosse à cozinha fazer refeições fazia cócó no comodo na sala. Note-se que havia um toilette ao lado da cozinha. O trabalho em sua casa era dar-lhe banho, servir-lhe chá e torradas 3 vezes por dia e ajudá-lo a deitar-se no fim do dia, na quarta visita do dia.
A minha segunda visita era uma senhora com problemas de demência (Alzheimer). Era educada apesar de estar esquecida de muitos pormenores da sua vida recente. O trabalho naquela casa era dar-lhe a medicação, dar-lhe banho, preparar e servir o porridge (flocos de aveia) para diabéticos. Fazia duas visitas a esta casa durante o dia. De manhã cedo e ao deitar. Aquando da visita da noite dava-lhe os medicamentos e o jantar. Dava-lhe a comida na boca. Era uma lady esta senhora. Pude entender a sua bondade por detrás da demência.
Dali ía para outra cliente com demência menos acentuada nas proximidades. Fazia quatro vezes por dia aquela casa. Ela era agradável, autosuficiente, independente e alegre. Afeiçoei-me a ela.
Era obrigatório fazer o login e o logout nas casas. Caso não, recebíamos chamadas autoritárias do escritório alertando que não seríamos pagas no caso de esquecimento do login ou permanência na casa menos tempo do que o indicado na rota. Caso o cliente precisasse mais tempo de nós, o tempo extra não era pago. Devia respeitar exatamente o tempo da rota que me havia sido entregue muito embora não fosse aplicável muitas das vezes.
Seguidamente uma senhora agradável e culta. Apesar do seu problema de saúde procurava ser atenciosa comigo de manhã e à tarde. O trabalho ali era apenas dar-lhe a medicação que estava cuidadosamente guardada num cofre cuja chave eu tirava do key safe da casa. Conversávamos um pouco sempre. Depois uma senhora muito idosa com muito pouca mobilidade, magrinha e frágil. Tomava banho diariamente, ajudava a senhora a colocar-se dentro da banheira e a sair dela. Ajudava a senhora a vestir-se e a calçar os sapatos. Preparava, servia e dava-lhe na boca o pequeno almoço, o almoço e deixava-lhe preparada e servida uma refeição para a noite. Tinha 30 minutos que se estendiam por 1 hora quase sempre.
Eu tinha um cliente a quem servia apenas o almoço. Muito amigável mesmo. Dava prazer preparar e servir a sua refeição. Por vezes eu detinha-me no seu quintal a comer o meu almoço, com a sua autorização, claro. Não dava tempo para ir a casa. Se o fizesse, cumprir o horário da rota era impossível.
Tudo se complicava, o assunto de conversa era sempre mesmo, o pagamento da empresa excluía o tempo de viagem. Entre as milhas não pagas, o combustível, as distâncias entre clientes e o tempo que poderíamos tomar a mais ou a menos no cliente, tornava reduzida a capacidade de prosseguir no trabalho sem comentar com as managers.
Em Bampton eram novos clientes. Tive que habituar-me a novos clientes bem como a outras estradas e locais. Fiz por um dia os clientes da minha amiga. Foi traumatizante ver o comportamento doentio de alguns dos clientes. Tinha que ficar do lado de fora do WC esperando o cliente defecar. Depois o cliente chamava-me. Eu entrava para dar-lhe banho ou simplesmente lavar as suas partes íntimas.
Certa cliente limpava o rabito com um ferrinho dobrado na ponta. O meu papel era observar apenas. Cuidar de pessoas é uma profissão honrosa. Torna-se, porém, desonrosa quando certas pessoas pensam em nós como sendo lixo.
Os governos querem cobrar impostos. Acho justo. Deveriam obrigar a entidade patronal a dar-nos condições de segurança no trabalho. Deveriam fiscalizar e organizar inspecções periódicas. Dar a conhecer às famílias dos pacientes que “care assistant” não significa escravo, sim aquele que cuida com amor.
Em Bampton…
Antes de seguir para Bampton o patrão deu-me um carro novo com ar condicionado.
Instalei-me no quarto da minha amiga na staff house. Era divertido estar juntas. Era tão gratificante ter com quem conversar. Dávamos gargalhadas saudáveis recordando os
episódios do dia nas casas. Por vezes a minha amiga brigava com as meninas na casa por causa da falta de higiene e ordem. Também me protegia. Magra, linda, frágil, mas firme.
Ambas adaptamos nossa maneira de ser às circunstâncias. Sim, foi o caso de termos que nos proteger. Estávamos sós e dependentes da empresa, longe da nossa casa!! Estávamos vulneráveis. Com pessoas pouco escrupulosas ao nosso redor.
Para cumprir a rotina saio às 06.30 am. Chego à primera cliente às 06:45 am. Passos para lhe dar o banho: colocar em primeiro lugar duas pernas de plástico nas suas pernas, para não molhar os pés e meia-perna. Pobres pés chulezentos que mereciam ser bem lavadinhos. Lavar bem a cabeça, secar e colocar uma fancy touca. Depois enterro as minhas mãos enluvadas naquelas pregas de pele gordas, dobras de banha pela frente e nas laterais, malcheirosas por dentro. Rabo gorducho e fedorento. Quando termino, as minhas mãos estão cheias de água, porque as luvas não são adequadas para dar banho de chuveiro e os meus sapatos estão ensopados de água também. Dentro da sua propriedade descuidada e suja, ela é uma rainha que silenciosamente despreza a pessoa que cuida dela. A demência causa a ilusão de poder e beleza. Depois de vestida, ela está pronta para mais 8 dias só de vestir e voltar a ficar pegajosa e mal cheirosa. Saio para outra viagem rumo à propriedade dum casal de idosos em que os dois têm demência. Rodeados do seu verde relvado e árvores ornamentais junto com um jardim bonito, mas visivelmente mal cuidado, estes idosos vivem o dilema da doença de Alzheimer. O marido tanto me trata por nome como me ofende. Para ele uma care é alguém sem abrigo que rouba comida. Quer ter uma escrava doméstica e ao mesmo tempo alguém que cuide com profissionalismo e ética. Satisfaz assim a sua necessidade de exercer autoridade prepotente e inadequada. É difícil fazer o que é certo. A mulher, tanto não sabe caminhar como de repente se levanta e sabe ir para a cama sozinha e deitar-se sorridente de perna traçada.
O trabalho nesta propriedade é duro. Vamos tratar da sua higiene? O que quer isso dizer? Ora, fazer xixi tomar banho ou duche, acha bem? Oh dear yes! Quando esta senhora não sabe andar, complica tudo. Sente dores profundas nos ossos e grita para vestir. Eu conto
1,2 e 3 levantar pé, aguentar, ok tudo bem. Agora o outro pé, 1,2 e 3 levantar aguentar ok. Boa menina, portou-se bem. Oh dear!
Escuto com atenção o que diz. Por vezes na sua demência diz coisas acertadas, ela quer manter a paz na casa. Sabe que seu marido é conflituoso. Matreiro, escondendo atrás da demência seu verdadeiro ego. Num dia tranquilo ela toma um shower, visto-a, penteio-a e sirvo-lhe seu pequeno-almoço. Ela é lovely. Ele permanece deitado até que eu lhe diga que ela ficou sentada na mesa a tomar o pequeno-almoço e que o meu tempo ali terminou.
Deixou de ser possível vestir e despir a senhora devido à intensa dor que sentia. Para além da demência tinha problemas nos ossos. Eu sofria a sua dor e não sentia prazer em pensar que a magoava. Um dia tive que chamar uma ambulância e foi uma experiência traumatizante. De modo robotizado faziam-me perguntas que depois da insistência me fizeram sentir medo. “Tratou-a mal? Como foi que aconteceu? Porquê? Em que ano nasceu ela? Enfim… O marido da senhora arrancou-me o telefone da mão quando sentiu que eu estava aterrorizada. No fim foi-nos comunicado que para este caso não enviariam uma ambulância, porque ela ainda respirava!
Entretanto falei com a minha manager e no dia seguinte o médico foi à casa quando eu estava presente na mesma a prestar serviço. Ele explicou-me que a família não queria levar a senhora para qualquer Instituição com meios para cuidar dela. Fi-lo entender qual era meu trabalho ali, o tempo para permanecer e porque na minha opinião o casal devia ter uma pessoa especializada a tempo inteiro.
Fiz aquela viagem quatro vezes por dia por mais dez dias. No décimo dia fui lá pela manhã cuidar deles. Lunch time já não fui. Tinha acabado o meu serviço ali. Fiquei preocupada, todavia, nada mais poderia fazer.
A manager de Whitney pareceu compreensiva. Por outro lado, começou por colocar na minha rota um senhor idoso com incontinência de fezes, por 15 minutos duas vezes por dia. A princípio foi-me dado para preparar e servir o almoço. Eu conseguia chegar àquela casa por volta das 19.00. Depois foi-me dito que a pessoa precisava de banho. Solicitei mais tempo e expliquei o porquê. Havia cócó por todo o lado e fraldas sujas. Um mau cheiro penetrante. O meu pensamento naquela casa era “Is all about to go outside”. Passei tempo a limpar tudo e até lhe dei banho. Saía de lá com uma vontade expressa de tomar duche. Mesmo assim era gratificante ler um sorriso no seu olhar e perceber que havia feito a diferença. Quinze dias depois senti-me doente, cansada, com falta de ar e uma tosse irritante.
Escrevi à manager a explicar tudo e porque havia perdido tanto tempo naquela casa. Disse-lhe que estava doente. A manager de Whitney chamou-me para incluir na minha rota outra pessoa, Segundo elas eram cinco horas duas vezes por semana apenas para o levar a passear. Hum…
A seguir conduzi por mais vinte minutos para chegar a outra cliente. Uma senhora amorosa e culta numa grande e bem cuidada moradia. O serviço ali era lavá-la e vesti-la diariamente, fazer a cama e arrumar a casa de banho. Às segundas-feiras ela tomava banho e trocava de roupas de vestir, dormir e cama. Naquela casa eu tinha 30 minutos.
Dali seguia para outra senhora com elevado grau de independência. O trabalho na sua casa era servir refeições ligeiras quatro vezes por dia. Fazer a cama de manhã e despejar a urina do comodo. Lavar as loiças e arrumar. Esta senhora tinha medicação e ao mesmo tempo tomava bebidas alcoólicas. Era uma pessoa interessante, culta e educada podendo agir com intolerância se tivesse bebido.
Seguidamente o serviço mais pesado físico e psicologicamente. Uma senhora idosa, acamada, bem-disposta apesar da fraca saúde. Respirando oxigénio de um aparelho 24 horas por dia, mantinha auto estima elevada e delicadamente fazia saber o que queria. Marcava também bem a diferença entre a classe dela e a minha. Tinha 1 hora para ela. Começava por banhá-la, massajar com creme full body, preparar e servir o pequeno almoço, preparar e deixar perto dela comida para o dia. Lavar a loiça, limpar a casa de banho, pôr a máquina da roupa a lavar, estender a roupa, dobrar a roupa e guardar. Por fim ir a 500m buscar o jornal. Nunca consegui fazer 1 hora naquela casa, sempre mais entre 20 a 30 minutos.
Voltar a Whitney, almoçar em Bampton por volta das 14.00. Voltar para o serviço às 16.30. Nos dias em que ía para Wintage não tinha tempo para almoçar. Trabalhava directo. Este cliente sofria de Alzheimer adiantado e já tinha incontinência de fezes e urina. A família cuidava de limpá-lo. Eu teria que levá-lo a passear porque ele não gostava de estar em casa e comumente perdia-se. Com o tempo iria ser eu a cuidar dele. Sabido!! Muitas vezes sentia-me emocionalmente ferida. Não havia tempo nem para telefonar à família e os recursos eram escassos em virtude de ter que pagar o combustível. A empresa não nos tratava com consideração e as managers tratavam-nos como escravas ou pessoas de ferro, sem sentimentos e pessoas de segunda classe. Não sei com que classe de pessoas elas estavam acustomadas a lidar, sei que eram implacáveis e eficientes em criar episódios de terror.
Sem o casal de idosos passei a dirigir-me directamente a casa de uma senhora muito idosa, pequenina, alegre e amável, para servir o tea time em Whitney. Dali seguia para Caterton e depois East End através do Cuco Lane.
O cenário concernente à empresa era o mesmo. Ali em Bampton fazia 250 milhas dia. O combustível não era pago pela empresa. Só recebia o tempo no cliente, após três meses classifiquei desvantajoso trabalhar no Reino Unido. Não tinha margem de manobra para enviar dinheiro para casa a menos que gastasse o overdraft autorizado. Acabou por acontecer sendo outro problema.
Todos dos dias, todas as semanas e todos os meses, os dias eram iguais. O day off era o único diferente se por casualidade não nos pedissem para fazer um esforço mais e trabalhar.
Ia ao medico no meu dia off ou ficava na casa a descansar, a tratar da minha roupa, quarto ou cuidar das áreas da casa que necessitassem de higiene. Eu dizia sempre que não queria problemas. Elas sabiam que eu só saía para os clientes.
Eu estava feliz porque finalmente não estava sempre em casa, sentia-me útil trabalhando. Fazia o máximo e o meu melhor. De um momento para o outro recebi uma chamada do escritório para uma reunião. Pensei: que se está a passar? Era a manager superior à de Whitney.
Cumprimentei e perguntei o que se passava. Em tom ameaçador começou por dizer que eu estava recusando clientes. Quando perguntei quem, levantou o volume da voz argumentando que não sabia. Respondi-lhe que não deveria ter-me chamado ali sem primeiro estar bem informada a respeito de quem rejeitei e nesse caso perguntar-me porquê. Depois disse que eu passava tempo a mais na casa dos clientes e que essa conduta era imprópria no que dizia respeito às politicas da empresa. Não nos entendemos mesmo porque ela falava e não ouvia. Optei por abandonar o local e ir para casa.
Passado momentos a manager apareceu na casa com a de Witney. Pediram-me a chave do carro que eu tinha acabado de limpar e abastecer com o tanque cheio. Levaram também o telefone da empresa. Fiquei sem chão e com muito medo. Fui para o quarto e sentei-me no meu cantinho. Pedi uma carta escrita para entregar o carro e o telefone. Quando ma enviaram entreguei tudo.
Vivia numa staff house, quando me poriam na rua? Enfim, durante o conflito de mulheres na casa, ânimos exaltados, a minha amiga subia e descia intermediando a comunicação entre mim e elas. Decidi almoçar. A minha amiga depois de passar a confusão só me perguntava como é que eu podia comer naquela situação. Não sei explicar disse eu. Acho que elas não me vão tirar a fome também.
Fui suspensa, convocada para reuniões de investigação, às quais não fui. Preparei o meu regresso a casa depois de ter comunicado ao patrão a minha decisão em virtude do meu problema de saúde agravado com o facto de me sentir vulnerável como nunca.
Quando cheguei a Lisboa abracei a minha menina com gosto. Até a Foquinha, apesar de não saber o que sentia!! Não parava de olhar para a minha mãe. Ora eu voltara. Voltara com dor emocional com medo do amanhã.
Haverá sempre um amanhã cinzento porquanto não haja oportunidades de emprego e apoio social mais justo.
Confio que vou conseguir dar a volta por cima. E pensar que trabalhei todos os dias, todos os dias, todos os dias de 1977 a 2009 na terra que me deu à luz e não tenho direito a nada. Nem subsídio nem reforma!! É a vida! Que medo dá!!
Quero acreditar que um dia breve vou conseguir. Eu vou conseguir!

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